Política social em tempos de capital-imperialismo: aparelhos privados de hegemonia em saúde e educação no Brasil (2018-2022)

Analisa aparelhos privados de hegemonia na saúde e educação no Brasil, relacionando políticas sociais, capital-imperialismo e projetos neoliberais recentes.


A análise das mudanças nas políticas sociais brasileiras e latino-americanas operadas no século XXI mostra que o capital-imperialismo de origem latino-americana se faz cada vez mais presente nos Aparelhos Privados de Hegemonia (APHEs) mais relevantes. Tal rede de APHEs busca instruir e construir tal consenso inter-empresarial acerca de projetos que podemos caracterizar como neoliberais em várias áreas das políticas públicas, como intensa atuação para expropriação de direitos e privatização de áreas como educação, saúde, emprego e segurança. O objetivo central parece ser construir junto a estas frações do empresariado programas que retirem dos Estados Nacionais a responsabilidade pela construção e manutenção de sistemas públicos, universais e gratuitos de saúde, educação, trabalho e segurança, transferindo-as para o dito “setor privado”. Os APHEs educam empresários a uma dupla linguagem,  na qual de um lado se destaca a repetição na ênfase do papel do “setor privado” em garantir, com a anuência e participação ativa dos governos locais, projetos para sua própria expansão, independentemente das contradições e devastações que possam causar. Por outro lado, prepara as intervenções jurídico-políticas, que impeçam ou reduzam as tensões sociais inevitavelmente surgidas da degradação dos serviços públicos essenciais, bem como do desemprego, de maneira a erradicar junto à população a idéia de que se deva esperar a solução para tais problemas a partir de direitos assegurados pelo Estado e da atuação dos representantes legais eleitos. Por todo exposto e inspirado nas formulações gramscianas acerca dos processos de luta hegemônica, pretende-se Investigar as formas que assumem as conexões internacionais dos APHEs Todos pela Educação e Coalizão Saúde, tanto do ponto de vista empresarial stricto sensu, como do ponto de vista político mais amplo assim como mapear a atuação de tais APHEs no âmbito do Estado em sentido integral: tanto na sociedade civil como na sociedade política, de maneira a lograr o sucesso de seus interesses econômico-corporativos.