Brazilian TVA? A Companhia Hidrelétrica do São Francisco e o “aproveitamento” da Cachoeira de Paulo Afonso no Nordeste do Brasil (século XIX-1955)

Estuda a formação da CHESF e o aproveitamento de Paulo Afonso, articulando interesses brasileiros e estadunidenses, desenvolvimento regional e modelo TVA.


A investigação sobre a formação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), a partir das ideias de “aproveitamento” da cachoeira Paulo Afonso, atravessando a elaboração do projeto de intervenção que culminou na inauguração da primeira usina em 1955, foi o fio condutor deste trabalho. O percurso corresponde ao período de elaboração dos planos para o submédio do rio São Francisco desde o século XIX, intensificados no final da II Guerra Mundial, alcançando às primeiras décadas da Guerra Fria. A análise evidencia interesses nacionais e internacionais que possibilitaram a implementação da Companhia, por meio de um jogo complexo de relações que explicitam estratégias governamentais (do Brasil e dos EUA), de frações da classe dominante brasileira e dos EUA que, de alguma maneira, utilizaram a Tennessee Valley Authority (TVA) como modelo para realização de tal empreendimento no vale do São Francisco. Apresenta as ramificações destas ideias e sua possível concretização no Nordeste brasileiro através da CHESF, a primeira grande empresa pública de produção de energia elétrica do país conhecida por Brazilian TVA, fruto de investimentos nacionais e internacionais. Assim, constitui o objetivo central desta investigação contribuir para uma história da CHESF que se inicia na elaboração de seu projeto. O estudo se alicerça em amplo levantamento de documentação, como projetos, relatórios, legislação e discursos parlamentares, artigos em jornais, além de extensa bibliografia em diferentes áreas de conhecimento, sobre a elaboração e implementação da Companhia. Ideias de modernização, progresso e desenvolvimento, associadas à agricultura de regadio, à produção de energia hidroelétrica e à industrialização, foram analisadas dialeticamente a luz da movimentação política de frações da classe dominante que buscaram articular um consenso por dentro do Estado brasileiro para a construção da CHESF. Considera, também, as razões que levaram sucessivas Administrações dos EUA a apoiar a concretização do referido projeto no Vale do rio São Francisco. A hipótese fundamental é que a criação da Companhia, apesar de se apresentar como uma réplica da TVA, acabou por assegurar, sobretudo, a defesa dos interesses dos grandes proprietários de terras da região (através da introdução da agricultura de irrigação com mecanização agrícola). A energia hidroelétrica de Paulo Afonso não terá viabilizado a industrialização na região nem melhorado substancialmente as condições de vida de grande parte das classes subalternas residentes na área de influência da CHESF.

Palavras-Chave: CHESF; Relações Brasil-EUA; Company Town; Energia Hidroelétrica; Desenvolvimento