A ditadura passou por aqui: disputas pela memória e história da ditadura civil-militar em Ilhéus (1964-1985)
Investiga memórias e disputas sobre a ditadura civil-militar em Ilhéus e Itabuna, questionando a ideia de passividade regional e ausência de repressão ou resistência.
Podemos afirmar que existe na região sul da Bahia, em especial no trecho Ilhéus - Itabuna, uma memória pautada no senso comum de que não houve resistência ou que a ação da ditadura civil-militar não foi significativa. Trata-se de entender que grupos sociais consolidaram memórias que tornaram hegemônicas um “texto da memória” de passividade dos trabalhadores da região, empenhados que estavam no progresso da lavoura cacaueira. Esta acepção de que “a ditadura não passou por aqui” foi verbalizada por uma importante professora de História e Geografia da cidade numa reunião pública do movimento Ação Ilhéus, em abril de 2012, e apesar da contradição histórica, temos escutado os mesmos argumentos em algumas situações envolvendo estudantes universitários à época que posteriormente tornaram-se professores da UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz e também alguns moradores da cidade de Ilhéus que vivenciaram o período da ditadura.
Ouvimos os mesmos questionamentos de estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas em Ilhéus, quando realizamos oficinas vinculadas aos projetos de Iniciação ao Ensino “Outras memórias da ditadura civil-militar de 1964-1985 em Ilhéus-Itabuna: imprensa e narrativas orais”, realizadas entre 2015-2017. Dessa forma, a realização dessa pesquisa pretende trazer à tona os diversos sujeitos que atuaram na região, apoiando e fazendo coro aos governos estadual e federal e as instituições militares que atuaram na região no período e também os que de alguma forma, resistiram à ditadura e contribuir para o avanço das pesquisas históricas que tratem dessa temática localmente.
Palavras Chave: ditadura civil-militar, colaboração, resistências, Ilhéus.